
– Posso pagar a dinheiro ou a cartão?
Um senhor, provavelmente o dono do estabelecimento, disse que sim. Já familiarizada com o ambiente, engatei a próxima pergunta:
– Tem desconto se eu pagar com dinheiro?
Foi aí que o homem embruteceu e fuzilou-me:
– Vem cá, “me” responda uma coisa: aqui, em Piripiri, quando o povo vai a supermercado, pede desconto? Não sei porque quando entram aqui ficam com esta mania de pedir desconto. O lucro da gente já é tão pouco. Já conheço, de longe, quando entram nesta loja, olham a mercadoria e saem. Eu sei, vêm pesquisar preço…
De olhos bem arregalados mediante a afronta do cidadão, revidei:
– Apenas perguntei porque, em muitas lojas, é feito assim. Os donos dão descontos quando a compra é feita com dinheiro em espécie. E, nos supermercados têm também promoção, preços diferenciados, pesquisa de preços etc.
Lobo em pele de cordeiro, aparentando uma falsa calmaria, ele prosseguiu:
– Mas já acabou isso…
Engoli em seco a afronta. Paguei com cartão a mercadoria e a grosseria, visto que ele me estragou o resto do dia. Eu deveria ter finalizado a compra, recusado os objetos comprados e ter deixado aquele ambiente inóspito para um outro comprador inocente que adentrasse àquela loja com o simples intuito de fazer um agrado a quem ele fosse presentear, desejando que o mesmo não tenha nenhuma conversa desagradável, ofensiva como a que eu tive o desprazer de ter. Se eu, como compradora, fui tratada assim, imaginem como são tratados os funcionários deste cidadão…Que os deuses os protejam!
Por Mercúrio, filho de Júpiter e Maia (que encabeça o texto), está explicado o motivo pelo qual muitos comerciantes não prosperam. O consumidor deve ser respeitado, bem tratado a fim de que a presença dele se torne frequente e o lucro, tão pouco como o que fora, naquele momento, vociferado pelo comerciante exasperado, não mingue cada vez mais. Temos outras opções para comprar. A elas.
PARA MERCADORIA TEM DESCONTO, SIM.
NÃO TEM DESCONTO PARA GROSSERIA.