Fiquei bastante comovida quando, em uma reportagem, foi destacado, em meio à multidão, esse grito, esse gemido, esse lamento: “mamãe está aqui”. O filho dessa criatura cometera um assassinato. Quando capturado, fora conduzido a uma Delegacia de Polícia. Várias pessoas se aglomeravam para ver o meliante chegar algemado. Uma delas, no entanto, não estava ali pelo espetáculo. Estava ali para expressar sua dor. O repórter captou esse instante de ternura em meio ao caos desse infortúnio. Qualquer outro detalhe desse fato poderia ter chamado a atenção do jornalista, mas foi o sofrimento dessa mãe que sobressaiu. Felizmente, ou infelizmente, a dona desse lamento não fora identificada.

Ficou apenas a manifestação do desespero. Afinal, ela sabia, de antemão, por quais sofrimentos ela e o filho passariam dali em diante. Sabia também que, por conhecê-lo tão bem, o filho não era “flor que se cheirasse” e ser ele o causador de dor em outro seres. Mas uma coisa não anula a outra. O erro dele jamais anularia o que ela sentia por ele. Era mãe. Mãe dele. Desculpem-me, aqui, caros leitores, uma descabida analogia: assim como a mãe de Cristo, essa mulher também estava presente no momento de extrema dor. Não abandonou sua cria. Alerto-vos que nem todas as mulheres têm essa entrega, essa abnegação. A mulher que gritou “mamãe está aqui” deixou-me com os olhos marejados, pois seu gesto me representa e também a todas as outras mães que, na alegria e principalmente na dor estão junto a seus filhos, não os abandonam.
Naquele momento, uma mãe acalentou o filho como se, quando criança, ele tivesse medo do escuro. Quanta ternura nesse gesto, meu Deus!!!!! Para muitos, a vida, é muito dura, às vezes, cruel. Talvez pelo embrutecimento, nem o próprio filho tenha se sensibilizado com tamanha demonstração de afeto; porém, eu, mais uma vez, voltei a acreditar que a sensibilidade pode salvar a humanidade, sim. Que o dia a dia, nos dê mais demonstrações de afeto e doçura como essa. Acredito que palavras e gestos de carinho como o que fora ouvido naquela ocasião dão alento a uma trajetória cheia de sobressaltos tal qual a vida desse jovem infrator. Deus proteja as mães que amam independentemente de quais filhos cuidam. O mundo ainda tem jeito, podem crer.