Como assim? Perdeu-se? Onde? Como?
Manhã de uma segunda-feira, tenho que comprar carne fresca, antes de ir para o trabalho. Chego ao frigorífico por volta das cinco e trinta. Neste dia, para variar, o proprietário-magarefe chegou atrasado. Fiquei de conversa com sua ex-senhora por um bom tempo, o que me impacientou deverasmente. Não costumo me atrasar e meu trabalho rege que se chegue pontualmente às 7:30. Pois bem, caro leitor… feita a compra e vendo que o tempo exigia de mim celeridade, optei em mudar a rota para chegar em casa (que nem era tão distante assim). Fiz isso tentando evitar o fluxo de pessoas e veículos que enfrentaria se tivesse optado em ir contornando o Mercado Público de minha cidade. Quebrei antes (como se costuma dizer por aqui), ou seja, optei em dobrar uma das esquinas que encurtaria meu trajeto.

Não sei se pela música que tocava, se pelo devaneio que me assola(va) ou se pela falta de atenção que me acomete de vez em quando, assustei-me ao perceber que estava um local completamente desconhecido. As casas iam rareando. Antes, o que eu via eram construções grandes e altas que passaram a ser pequenas e sem espaçamento uma das outras. “Vixe!!!!! – Acalme-se, falei para mim mesma”. Já me conheço. Isso era difícil de controlar. Quando sinto que estou desorientada, apavoro-me mais ainda. Sou incapaz de dizer até meu próprio nome. Respirei fundo. Dei prosseguimento à viagem tentando encontrar algo que me direcionasse ao caminho de casa. Circulei por ruas, ruelas e vilas. Se o asfalto acabava, dava marcha a ré e continuava com meu intento de voltar para casa. Encontrei algumas pessoas saudando o dia que ardia de tanto sol no alto dos céus. Não me atentei em ver as horas. Isso iria me deixar ainda mais perturbada. Vez por outra, eu me abaixava para tentar ver as torres da igreja matriz a fim de que elas me dessem um norte.
Tentativas que não deram certo. De tanto rodar, pensei estar perto do meio-dia. No meu desespero, cogitei fazer abordagem a algumas senhoras que varriam as calçadas de suas casas. Mas eu não estava louca a ponto de passar por esse constrangimento. Como iria me justificar perante elas ao perguntar onde ficava o centro da cidade? No mínimo, elas pensariam que eu estava voltando de uma farra, ficando maluca ou, talvez drogada. Finalmente, surgira uma luz: avistei, ao longe, um ônibus. Alívio! Eu iria segui-lo, visto que os prováveis lugares que esse ônibus iria esbarrar era ou a rodoviária rural ou o terminal rodoviário estadual. O medo de perdê-lo fez com que eu atravessasse coxias e buracos sem a devida atenção. Às vezes, o danado do ônibus desaparecia… “ – Meu Deus, faça com que eu encontre o caminho de casa”, orava baixinho. Enfim, reencontrei a civilização. Estava novamente em um lugar urbanizado. Encontrei casas, pessoas e veículos circulando, mas para meu espanto, vi também bancos pintados de verde no meio de uma avenida muito larga. Misericórdia, que cidade é esta?!… “- Em minha cidade, não tem este tipo de banco verde”. O ônibus ia ao longe. De repente, constatei estar passando em frente a uma escola muito conhecida por mim, visto que já tinha trabalhado logo ali atrás. Agora, crise de riso; muito riso. Eis minha sanidade recobrada. Graças ao bendito ônibus pude voltar para casa, sã e salva. Neste dia, o trabalho teve que aguardar e, se possível, não multar meu atraso. Ufa!!!!!