Em minha cidade (minha por adoção) tem (ou teve) de tudo mesmo, como comumente se diz por aqui. Ao ler o título acima o que lhe vem à mente? Quando aqui cheguei, soube da existência de vários locais com nomes bem “sugestivos”, tais como “Espinhaço da Cabra”, “Pau Mole” e inclusive este que intitula a crônica de hoje, “Pau do Amor”. Ao me falarem o nome deste último, em minha inocente e ingênua mente, vinha o que a maioria das pessoas deve imaginar ao se deparar com este título. A imaginação é livre… Cada um que faça as suas interpretações. A mais comum, acredito que seja relacionada a alguma coisa que dê prazer. Não tem como ser diferente. (rsrsrsrsrsrs…). Caros leitores, depois de deixá-los eufóricos e curiosos, vamos aos fatos. Na década de 80, em uma das laterais do Mercado Público, tinha uma árvore que servia de ponto de encontro entre idosos que, após receber o dinheiro da aposentadoria, passavam por lá a fim de contatos mais calientes com jovens consideradas, na época, como sendo “de vida fácil”. Feito o “acerto”, de lá partiam para onde fosse possível concretizar o ato sexual.

A população, vendo e sabendo a finalidade de tais encontros, resolvera nomear a tão procurada e festejada árvore com o título de “Pau do Amor”. Se para uns causava prazer, para outros causava descontentamento, pois além de perder dinheiro corria-se sério risco de ver o amado se “enrabichar” definitivamente por uma dessas moçoilas. O dito Pau do Amor tinha também seus desafetos. Ao ouvir tantos queixumes por parte das boas e recatadas senhoras, os deuses resolveram intervir. Um deles, o deus grego Éolo, responsável pelo controle das tempestades, tinha o poder de acalmar e provocar os ventos. Então, para atender as preces, os rogos e chororôs de algumas pobres e infelizes mulheres de minha cidade que já se encontravam na iminência de serem abandonadas, Éolo mandou para Piripiri um forte vento que arrancou pela raiz o Pau que tanta euforia e felicidade trazia para os combalidos e quase abatidos amantes como também fazia lucrar as desventuradas mocinhas. E foi desta forma que acontecera esta desdita. Afinal, não se pode agradar a todos, todo tempo: os deuses fizeram ganhar as belas e recatadas mulheres do lar, mas em contrapartida, fez perder bem mais as duas criaturas desvalidas da sorte: os velhos e as jovens tristes prostitutas.