Ah, o amor…
Esse sentimento nos prega peças. Muitos se iludem com ele. Pensam que a intensidade do início perdurará, mas o que se vê é um arrefecimento das emoções. Costumo dizer que grandes amores foram feitos para não darem certo, pois se ele tem continuidade, o normal a acontecer é um certo acomodamento, visto que os encontros não têm mais o mesmo calor de outrora, o fogo já não queima como antes, as mãos não gelam e os amantes apenas conseguem, por muito tempo, manter-se numa espécie de banho-maria a fim de não se darem por vencidos. A sociedade cobra, através do casamento, que a união entre as pessoas que se gostam tenha efeito vitalício, que somente a morte os separem. Cotidianamente, vemos promessas de amor eterno sendo findadas, casais sendo desfeitos e nova união sendo proclamada.

O grande problema acontece quando somente um(a) quer e/ou aceita desfazer a união. A renúncia de tudo que fora planejado fere mortalmente essa pessoa que teima em permanecer em um relacionamento falido mesmo que para isso tenha que suportar rejeição, traições e muito, muito desrespeito, contanto que o ser amado não abandone de vez o projeto elaborado a dois, no início da vida afetiva. Há casos de assassinatos, enlouquecimentos e também de gente que nunca mais há de se envolver com ninguém (pensamentos macabros esses).
O corpo humano tem duas partes: a física e a emocional. Tristes daqueles que utilizam apenas a parte física. Grande prejuízo, pois não há nada mais belo do que fazer um corpo florir. Florir no sentido de embelezar a alma, ter emoções, sentir arrepios, fazer encaixes, deixar que o(a) outro(a) lhe faça funcionar todos os sentidos… Por muito tempo, contentei-me em fazer valer somente uma dessas partes em mim, mas quando fui novamente despertada a florir, entreguei-me sem medo, sem vergonha(s) e senti todas as emoções e/ou transformações que a parte psíquica pôde me proporcionar. Aconselho-vos, caro leitor: se der para florir, floresça.