Meu filho não tem Pai. Desde cedo, tentei explicar para ele a ausência desse ente. Tarefa de difícil entendimento até para adultos; imagine para uma criança…Assim como o meu não teve, milhares e milhares de crianças também não o têm. O que fiz eu, então? Dei-lhe amor sem medidas, sem, no entanto, estragá-lo; pois não tem cena mais constrangedora do que presenciar birra sem motivo protagonizada por crianças que não conhecem limites. Sem querer expressar saudosismo pelos tempos que passaram, a modernidade tem estragado o comportamento de crianças, futuros adultos com os quais teremos que conviver.
Primeiramente, elas já nascem em uma monarquia e são agraciadas desde a mais tenra idade com o título de rei, príncipe e/ou princesa. Não se veem mais nascerem crianças, bebês, meninas, meninas; é só olhar pistagens feitas pir pais e familiares para que se co firme o que acabo de dizer: ” nasceu o principe/ a princeda da mamãe”, “mesversário de meu rei/rainha” etc. Diante da necessidade de educar uma criança, o ideal é ter o grupo familiar e as regras bem definidos. A princípio, determina-se quem é a pessoa que vai liderar este grupo: pai, mãe ou um adulto que conviva sob o mesmo teto, visto que todos precisam de uma escala a quem obedecer, senão embaralha o meio campo e quem era para comandar acaba por ser induzido a fazer todas as vontades do rei/principezinho ou princesinha que se está criando. Desorientado(a), sem regras, reinando absoluto em todas os setores familiares, o pequeno serzinho extrapola o seu poderio para a vizinhança, para a escola e para a sociedade.
A maioria das crianças que vive nesta “pseudo” realeza, muitas das vezes, torna-se insuportável de convivência, pois nem todo mundo é treinado para obedecer-lhe as vontades. Infelizmente, vivenciamos o surgimento de uma casta onde o que se vê é o adulto a obedecer as imperativas leis dos infantes. Dessa inversão, dificilmente, resultará bons cidadãos e uma boa sociedade, visto que os que muito viveram nada poderão apresentar de legado a esses zumbizinhos que são intitulados reis/princesas desde cedo. No meu núcleo familiar, formado por uma adulta(eu) e uma criança (meu filho), a autoridade paterna não foi necessária para que as leis fossem respeitadas em casa. No entanto, não por minha vontade, meu filho deixou de ter a presença, o carinho, o afeto imprescindíveis a que ele ainda hoje necessita. Limites? Ele teve e soube respeitá-los. Não criei um rei. Criei um ser humano lindo que alegra as vinte e quatro horas de todos os meus dias. Ulisses, cada dia mais, tenho orgulho de ser sua mamãe!
